Sono da Verdade
O trabalho efectuado pelo hipnotera-peuta Alberto Lopes na SIC, abriu a mente dos portugueses para o mara-vilhoso potencial da hipnose e regres-são clínica como técnica terapêutica.
Crónica: Solidão Existencial
Vivemos numa sociedade que alguns autores apelidaram de “Sociedade Ligadas em Rede”. Mas, paradoxalmente, numa sociedade repleta de meios de comunicação tecnologicamente avançados, e que nos liga em rede a qualquer hora, e a qualquer parte do mundo, a solidão é um dos maiores flagelos das nossas sociedades.
Pode parecer contraditório da minha parte falar, hoje, num tema que se chama solidão. Num mundo poluído de sons e de meios fáceis de comunicação à distância, fica-se perplexo pelo verdadeiro muro de silêncio em que as pessoas se escudam, um autêntico mundo de isolamento. Possuímos GPS, internet, telemóveis, televisão, mas implacavelmente a solidão grassa à nossa volta à medida que a tecnologia vai tornando a vida das pessoas mais desumanizadas. A vida das cidades, cada um vive o seu próprio isolamento, os outros são apenas estorvos no trânsito das ruas, nos apertos dos transportes públicos e nas indiferenças do vizinho do mesmo prédio. Apesar de nos sentirmos rodeados de multidão, cada vez mais, faz-se sentir a dor de estarmos perdidamente sós. O vazio existencial, e a estranha sensação de que ainda não encontramos o nosso lugar no mundo, torna o nosso silêncio ensurdecedor.
Estranhamente, nesta sociedade ligada virtualmente, quando alguém, que vive uma qualquer crise de angústia existencial, levanta o véu dos seus problemas é como um grito no deserto. A resposta dos outros anda quase sempre à volta dos seus próprios problemas, ou do lado aparente das pessoas. O silêncio assusta e é sobretudo interior. É um estar sozinho no meio da multidão, traduzindo-se no isolamento em que vivem as pessoas nas sociedades modernas. Na verdade, poder-se-á dizer que o isolamento tem crescido exponencialmente ao avanço da tecnologia.
Estranhe-se, ou não, chegamos à dura constatação de que muitas pessoas não conseguem sequer ter uma conversa de circunstância com o vizinho do lado, sem sofrer os efeitos paralisantes do medo de se expor. Ou, quem sabe, o medo de ser mal interpretado. Embora o façam, facilmente, através do mundo virtual assumindo outra identidade e outro papel. Ninguém discordará que a solidão cresce à medida que o materialismo torna as pessoas mais exigentes acerca do mundo e de si próprias. Creio que todos já conhecemos pessoas que se tornam anti-sociais e perderam a capacidade de interagirem com os seus semelhantes. E só saem á rua por obrigação ou com alguém a seu lado, tal o medo que possuem de viverem a sua herança genética, isto é, o ser humano é um ser predominantemente social e só cresce espiritualmente interagindo com os seus semelhantes.
Os casos de Fobia Social e as Perturbações de Pânico com Agorofobia não são um caso singular, mas torna-se cada vez mais abundantes à nossa volta. Nas nossas sociedades, que vivem a vida a um ritmo alucinante, há cada vez mais pessoas que sofrem destes distúrbios monossintomáticos. Somos cada vez mais os que sentimos crises de ansiedade. A sensação de impotência perante situações de crise como mudança de emprego, divórcio, perda familiar ou até um simples incidente leva-nos a subsequentes crises de pânico. A intensidade das emoções sentidas são tão violentas que muitas vezes as vítimas têm a sensação de que vão morrer de enfarte, de tal forma as manifestações físicas são impressionantes. O nosso cérebro límbico assume, subitamente, o controlo de todas as funções do corpo; o coração começa a bater a toda a velocidade; surge o medo intenso de morte iminente; as pernas e as mãos tremem desmesuradamente; existe o medo de enlouquecer ou perder o controlo; a pessoa transpira por todos os poros; há uma sensação de desmaio e falta de ar, etc. Será que se reflecte no quadro sintomático de que acabei de falar? Se não se revê é um felizardo/a.
Qualquer pessoa que já passou por um ataque de pânico certamente entende o que uma paciente, que recorreu à minha clínica para um tratamento de Agorofobia através da hipnose de regressão, acabou por dizer: - Era como se o meu cérebro dissesse: vais morrer, pede ajuda imediatamente!
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Foi desta forma que Ana Maria (nome fictício para proteger o anonimato do meu paciente), uma jovem professora com cerca de 37 anos, descreveu-me um dos insistentes ataques de pânico que sofria há mais de uma década. Depois de recorrer a vários tratamentos convencionais, sem os resultados que esperava, esta paciente partiu da sua terra natal no Algarve em direcção ao Porto, praticamente sedada com psicofármacos. Esta atitude, aparentemente simples para qualquer um de nós, era terrivelmente assustadora para ela. O motivo da sua deslocação, à minha clínica de Hipnoterapia sito no Porto, era a busca de uma solução para uma brutal fobia social, perturbação a que estava sujeita todas as vezes que tinha que se deslocar à rua. Esta terrífica perturbação paralisava-a dentro da sua própria casa, único lugar onde se sentia realmente segura. A perturbação agorafóbica, de que sofria há alguns anos, impedia-a de ir para locais onde estivessem presentes muitas pessoas, pois era logo acometida de incontroláveis ataques de pânico. Ana Maria tinha visto o meu programa na televisão “O Sono da Verdade” e tinha a secreta esperança de resolver, de uma vez por todas, os sintomas fóbicos de que a atormentava à mais de 17 anos.
Até a altura dos seus 20 anos tinha tido uma juventude relativamente calma só que, por essa altura houve uma separação dos seus pais, ela não suportou o divórcio dos pais que amava e essa separação despoletou nela um tremendo quadro depressivo. A partir daí a solidão era uma constante na sua vida, então precipitou-se à pressa num casamento pouco satisfatório, e que a anulava como mulher e pessoa. O seu casamento fora sem amor, uma fuga para a frente, disse-me ela. E, durante anos, ela sofrera dos sintomas aflitivos de ser acometida de “ataques de pânico”, já que o seu marido estava sempre fora de casa por motivos profissionais.
Começou por evitar reuniões e os lugares com muito público. E quando se deslocava para as aulas ou reunião escolar, a que era obrigada como docente de ensino público, levava a sua irmã Inês. Aliás, Ana Maria admitiu que não saía de casa sem a sua querida irmã mais nova a acompanhar. Digamos, a sua inseparável irmã, era a “figura contrafóbica” que ela recorria para enfrentar o público nas inúmeras intervenções que tinha de realizar profissionalmente. Tudo isto foi-me contado na conversa inicial da primeira sessão, antes de iniciarmos a regressão.
Depois de uma boa anamnese, e com uma bom rapport estabelecido na nossa primeira abordagem, iniciamos em conjunto uma regressão ao seu passado. Tinha acabado de dar instruções para viajar para trás no tempo. Esperava encontrar traumas infantis que tivessem sido reprimidos, esquecidos, fruto dos seus mecanismos de protecção. Sentia que era aí que, aparentemente, residia a causa dos seus sintomas de solidão, medos de multidões e sensação de abandono que sentia no seu presente.
Ana Maria recuou para um momento de criança, fruto de uma bom transe hipnótico, regrediu rapidamente para o padrão do momento-chave na sua infância. Tinha cerca de seis anos de idade e estava muito triste. Sentia-se sozinha e abandonada pois os seus pais preparavam-se para emigrar deixando-a ao encargo de uma tia, que detestava e que não lhe dava muita atenção. Após reviver, em transe, esse momento traumático fiz um trabalho de “resgate” da criança interior. Este processo terapêutico acabou por trazer alguma paz à sua criança do passado. E, depois da “ferida psicológica” cicatrizada, uma vez mais a fiz recuar no tempo.
Intuitivamente sabia que as razões dos seus problemas estavam ainda mais atrás, talvez em vidas pregressas. Desta vez, sugeri a ela para procurar em vidas passadas o motivo daquele seu tremendo medo de estar em grandes espaços abertos e com muito público.
Então disse:– Recue até ao tempo em que você passou por algo que lhe dê respostas aos seus problemas no presente – incentivei-a delicadamente. Projecte-se até ao tempo em que tiveram origem os actuais problemas. Onde aconteceu pela primeira vez esses medos de estar em público. Reparei, instantaneamente, ela franziu as sobrancelhas. Inesperadamente, foi dominada por soluços aflitivos e começou a arfar abundantemente na confortável poltrona do meu consultório:– Vão entrar é o meu fim! – gritou ela. Ai… meu Deus… eles são muitos e estão furiosos comigo...
– Quem são eles? – perguntei, para me situar no momento traumático que estava a recordar. - Onde está agora?
– Estou num calabouço, penso… onde estou é muito quente, poeirento. Há minha volta vejo um grupo de homens com vestes claras, largas… Estão furiosos, vêm-me buscar para morrer… O povo lá fora está em fúria… e dizem que vão me decapitar – descreveu ela num lamento.
Inesperadamente, a paciente foi parar num momento traumático de uma vida passada. Precisava de descobrir mais para me situar na cena que estava a viver com tanta intensidade. Após mais algumas recordações, dessa experiência longínqua, concluí que ela era um homem. E se encontrava numa zona do médio-oriente, onde foi feito prisioneiro por inimigos árabes. Ana Maria, naquela vida passada, fora um cruzado na casa dos trinta e tal anos que viveu na Idade Média.
Antes de ter sido feito prisioneiro era um homem influente e com algum poder, herdado da sua linhagem nobre. Decidiu partir com um punhado de homens para a Terra Santa. Fez parte dos primeiros cruzados contra os infiéis. E, no entanto, faltava a este homem a compaixão, o amor ao próximo e a humildade. Ana Maria descreveu-o como um déspota. Exigia muito dos seus homens, mas também de si. Naquela vida, não se permitia falhar. Considerava a piedade e o amor uma fraqueza, e exigia obediência cega dos seus homens.
Os seus treinos, de práticas guerreiras, eram brutais. Havia um que era tremendamente doloroso. Em transe a paciente contou-me que exigia que cada um dos seus homens colocasse um dos braços, nomeadamente o direito, num braseiro onde aqueciam e moldavam o aço das espadas, de forma a ficarem marcados. Era um ritual tremendo. Tinha como função os seus soldados aprenderem a dominar a dor. E, simbolicamente, significava que o braço que empunhava a espada, terrivelmente marcado pelas queimaduras, jamais vacilaria perante o inimigo.
Era um comandante duro e cruel, e quem se recusasse passar pelo ritual era decapitado ali mesmo. Muitos dos jovens soldados acabavam por morrer acometidos de febres e infecções após tão macabro ritual. Mas os que sobreviviam eram autênticas bestas humanas, com uma obediência cega ao seu chefe. Eventualmente, foi capturado pelos seus inimigos. A sua crueldade e os métodos cruéis de luta eram sobejamente conhecidos. As populações árabes temiam-no e odiavam-no. Foi aprisionado num calabouço escuro, onde era torturado diariamente. E quando já não tinha força para reagir às torturas dos seus algozes foi morto sem dó nem piedade. Decapitado numa praça poeirenta repleta de gente ululante que queria a sua morte.
Antes fora arrastado violentamente da prisão onde estava encarcerado, até ao centro de uma praça onde se encontrava uma multidão em fúria. Momentos antes da sua decapitação foi colocado de joelhos, no chão pedregoso e quente. Fraco e mergulhado na sua dor, naquele mesmo instante compreendeu que o ódio e a revolta do passado levaram-no a escolher aquela vida. Pensava que, se fosse forte e cruel, jamais ninguém lhe faria mal. Como estava enganado! Compreendeu que a revolta leva ao ódio e gera mais ódio. Pois comportamento gera comportamento. E não se combate revolta com mais ódio. Só o amor pode vencer o ódio. Porém, infelizmente, para ele já era tarde demais.
Mas, naqueles minutos finais ele compreendeu finalmente esta dolorosa lição. Olhou mais uma vez para o céu e inspirou fundo o ar quente e abafado pelo sol incandescente, que brilhava lá no alto. A carne, fragilizada pelas mazelas infligidas no cárcere, estremeceu quando sentiu a baforada tórrida do deserto. Então, naquele derradeiro momento, em pânico fitou os olhos naquela imensa multidão que desejava enraivecida a sua morte. E mergulhado no seu desânimo e arrependimento, mas ao mesmo tempo amedrontado, pois sabia que ia abandonar a sua desgraçada existência, murmurou baixinho: - Meu Deus… perdoa este teu servo pelos seus pecados.
O sibilar da lâmina afiada de duro aço cortou o ar e interrompeu a sua oração. Num único golpe de cimitarra, a sua cabeça tombou exangue e rolou no chão poeirento. Enquanto isso, a multidão ululava de euforia. Acabou ali, daquela maneira tão brutal, uma vida tão miserável e repleta de raiva e vingança. Foram de tal modo importantes estas revelações, para a resolução do seu “carma pesado” que trazia do passado, que Ana Maria se transformou totalmente. As experiências pregressas tiveram o dom de identificar os traumas mal resolvidos do passado, do qual anteriormente não tinha consciência.
Após a tomada de consciência daquela dramática situação passada algo mudou na paciente. Havia algo de diferente nela e a maior diferença era de que tinha ultrapassado as suas limitações, e o seu pavor das multidões desaparecera, pois compreendera que o medo do agrupamento das pessoas tinha a ver com aquela vida passada onde morrera rodeada de uma multidão enfurecida à quase mil anos atrás.
Nas sessões seguintes, Ana Maria voltou à sua adolescência. Foi capaz de perdoar a tristeza da sua separação dos seus pais e a rudeza com que foi tratada pela sua tia que tinha uma atitude déspota para ela. Voltou a experimentar nitidamente mais algumas imagens dessa vida passada na idade média e compreendeu o motivo dos seus maiores medos.
Durante as sessões subsequentes de hipnoterapia, estabeleceu ligações entre o estado patológico da sua vida actual e as outras vidas do passado. E esta tomada de consciência agiu de modo sinergético e reparador dos medos e limitações do presente. Cada experiência vivida, compreendida e libertada actuam, cada uma por si mesma, como chaves libertadoras. E vão abrindo portas de crescimento e de bem-estar. Até que surge uma nova forma de ver e estar perante a vida, em que vogamos em direcção à energia cósmica, o lugar onde pertencemos.
A regressão a vidas passadas foi capaz de dar qualidade de vida àquela Alma sofrida. A compreensão da carga que trazia do passado foi um bálsamo na sua vida. Os seus frequentes ataques de pânico desapareceram, a solidão e os seus medos foram dissolvidos e ainda revelou um novo sentido para a sua vida. Ela passou a ser capaz de assumir riscos e desafios. Aos poucos passou a sair mais de casa decidiu tirar um curso como formadora (ingressou no CAP) e, finalmente, começou a falar em público das suas interessantes experiências. E, naturalmente, concluiu que ao fazer o relato das suas próprias experiências passadas poderia, só por si, ajudar muitas pessoas que sofram dos mesmos problemas. Nomeadamente, as perturbações de pânico, ansiedades e perturbações como a Agorofobia. No presente, Ana Maria, já participou em inúmeras palestras e debates sobre experiências de vidas passadas e, espantosamente, nunca mais teve medo de enfrentar o público.
Aliás, decidiu "mergulhar de cabeça" numa nova área de conhecimento a Psicologia Transpessoal, que admite estados de transe e espiritualidade como soluções na resolução dos maiores problemas das pessoas. Transmitiu-me que está a escrever as suas memórias num diário, e quem sabe num futuro seja capaz de as escrever num livro. Seguramente, arriscou a sua reputação profissional, ao comunicar publicamente as suas notáveis revelações feitas numa Terapia de Vidas Passadas. Quando lhe pergunto porquê arriscar a carreira, ela diz continuamente para quem quer ouvi-la: - Necessito de comunicar esta extraordinária experiência por que passei… E sei, agora, quem não arrisca a vida na interacção com os outros semelhantes arrisca tudo..., Devo confessar, admiro a sua coragem e determinação.
Depois do que acabou de ler, acredito que concluirá que efectivamente somos vítimas dos nossos medos. Isto é, das nossas próprias experiências mal resolvidas do passado. Numa perspectiva psicanalista, Freud designou-as como recalcamentos e salientou a sua importância ao condicionar a personalidade futura do indivíduo.
Curiosamente, a maioria das pessoas tem medo de situações no presente, e o mais estranho é o medo do futuro. Sofrer por antecipação, por coisas que provavelmente nunca irão acontecer, é o mais comum nas pessoas que sofreram experiências problemáticas no seu passado. Todas as situações mal resolvidas do nosso passado gritam por socorro, condicionando o nosso presente. Como sabemos, são muitos os medos que estão enraizados no nosso passado, e não no nosso presente. É tão fácil perceber que as coisas que mais receamos já aconteceram. Ocorreram quando éramos crianças, na vida intra-uterina ou numa vida pregressa. O facto de o esquecermos, ou simplesmente nos lembrarmos vagamente, faz com que receemos que a experiência traumática se torne realidade no futuro.
A terapia de regressão não actua sobre o sintoma, mas utiliza-o como ponte para regredir à origem do problema. Se fizermos uma analogia, digamos que buscamos uma “ferida psicológica” provocada, algures no nosso passado, por uma experiência traumática. Não adianta administrar anti-inflamatórios ou analgésicos para curar uma ferida com uma farpa cravada na carne. É urgente encontrar o local, e o momento exacto, onde se cravou essa farpa. É necessário abri-la, seguidamente retirá-la e por fim limpar a ferida. Após isso, o próprio organismo terá capacidade de autocura. Mas facilmente se compreende que a homeostesia do nosso corpo não o poderá fazer enquanto um corpo estranho estiver dentro da ferida. E acredite, não há psicotrópicos ou antidepressivos que possam resolver o problema. Quanto muito, adiam-no.
Ao procurarmos a origem do problema do passado, vamos à procura da farpa psicológica para a remover, fazendo com que o próprio corpo se encarregue da autocura. É por isso que a Terapia das Vidas Passadas apresenta resultados fabulosos onde todas as outras falharam. A regressão não tenta minimizar os sintomas, mas actuar sobre a origem dos problemas, para implodir a própria doença. Muitos dos pacientes que me procuram para uma regressão sofreram tremendos desgostos, medos, fobias, relações angustiantes e destrutivas. Todos eles conseguiram livrar-se do sofrimento, à medida que recordavam a origem em vidas passadas, na infância e até na vida intra-uterina. E, o mais extraordinário, atingiam estados espirituais de paz, beatitude e significativo conhecimento. Muitos dos meus pacientes afirmam que aquela experiência mudou a vida deles para sempre. E partem para a vida felizes, tranquilos, sabendo que os esperam alegrias e desafios, mas o seu caminho está agora iluminado. Compreenderam, finalmente, que vencer os medos é uma fonte de energia que nos faz avançar a passos largos a caminho da felicidade. Como nós, pessoas aparentemente vulgares, mas com histórias tão extraordinárias. O aumento da depressão e o isolamento que grassa nas actuais sociedades consumistas só pode despertar em nós uma pergunta:
Como é que pessoas que são suficientemente sensíveis a essa dádiva que é a vida se deixam levar por existências fúteis que acabam por dar motivo ao desespero, ao abandono e inevitavelmente à solidão?
Talvez seja a ânsia humana por uma pequena “ração” de reconhecimento, aceitação e amor. Tão simples quanto isso. As pessoas necessitam que as ouçam e compreendam, precisam que gostem delas. Os seres humanos necessitam de amar e ser amados, mas não virtualmente. Mas nas interacções pessoais, com reciprocidade, sem medos, intrigas ou receios impostos por quem nos rodeia.
Curiosamente, rimo-nos sempre das desgraças alheias e a crueldade do nosso riso é tanto maior quanto maior é a nossa indiferença. Mas o mais insuportável é o retrato do vazio da nossa existência. É o retrato que o espelho nos devolve a cada dia que passamos na escuridão. Os filósofos dizem: Quando não há uma boa razão para viver, qualquer motivo é bom para morrer.
Tento, por vezes, imaginar o anónimo quotidiano de milhares de seres humanos que deixaram de viver para simplesmente sobreviver. Há muito tempo que desistiram de ser felizes. Os seus sonhos esquecidos, acossados aos limites asfixiantes do mundo à sua volta. Como compreendo a sua absurda lucidez do seu desespero depressivo na ânsia de serem compreendidos e valorizados. Talvez, em algum momento, num grito interior de desânimo e abandono terão compreendido que estavam a morrer por dentro. Talvez a sua depressão seja, afinal, um grito no silêncio da incompreensível solidão onde vivem. Contudo, estou em crer que no mais profundo da sua Alma elas querem apenas mais uma oportunidade, querem mais uma vez viver. Renascer num mundo onde valha a pena viver, onde possam ser apreciadas e amadas por alguém. Viver em harmonia, por um mundo que seja um apelo à paz e ao amor. Que nos faça entender que há momentos únicos que valem pela sua intensidade, não pela sua durabilidade. Sinceramente, sabemos que todos nós queremos isso. Assim, quando estiver cansado da sua solidão atreva-se a ocupar o seu lugar no mundo e busque a sua “tribo espiritual”.
Se os métodos psicoterapêuticos que utilizam uma abordagem de ressonância espiritual, funcionam tão bem nos outros, por que não há-de funcionar consigo? Todos nós conhecemos casos de pessoas que estão fechadas em casa, sem objectivos na vida, e com os sonhos acossados pelos caprichos do destino, constantemente a pensarem em desistirem dela. Os médicos disseram-lhes que estão doentes: talvez por uma depressão; uma fibromilagia; uma doença bipolar, e elas ficaram tão perturbadas com o rótulo que os seus corpos estão cheios de stress e tensões acumuladas. Ora, se uma fobia, um estado de pânico que acompanhou quase toda a vida aquela professora, pode ser eliminado em cerca de meia dezena de sessões de Terapia de Vidas Passadas, este tipo de terapia também deve ser eficaz para todos aqueles que sofrem de qualquer tipo de doença.
Qualquer tipo de patologia, quer seja de natureza emocional, mental ou mesmo física, pode ser facilmente ultrapassada com a ajuda destas extraordinárias terapias. Também nós podemos ser libertados dos nossos medos, ansiedades e stress que a vida agitada nos imprime. Sabemos que é do maior interesse que não adiemos mais esta questão. Eis uma pergunta de tão grande importância: por que havemos de ter medo de nos apaixonar de novo, ter medo das alturas, da água, de andar de avião, de falar em público, dos superiores, do fracasso da solidão e até da morte? Há muito tempo que aprendi a ser livre, conhecendo a minha ancestralidade, e as verdades contidas numa abordagem psico-espiritual oferecem-lhe a si as mesmas oportunidades. Considere a possibilidade de, ao longo da sua vida, encontrar as respostas que deseja há muito.
Ouvimos dizer que: “O Universo sempre dá asas a quem não tem medo de voar”. Onde quer que esteja também pode ser a mudança para melhores caminhos de cura. Ouse, mais uma vez, sonhar num mundo onde nem precisamos sonhar para ser felizes. Pois quem acredita num sonho acredita na vida, como uma maravilhosa escada de experiências para tocar nos nossos sonhos.
Prepare-se para voar nas asas de um sonho, um sonho com sabor a liberdade. Assim sendo, não tenha medo daquilo que Deus não se envergonhou de criar. Isto é, VOCÊ!
Um abraço de luz bem forte e apertado…

Alberto Lopes



