Sono da Verdade
O trabalho efectuado pelo hipnotera-peuta Alberto Lopes na SIC, abriu a mente dos portugueses para o mara-vilhoso potencial da hipnose e regres-são clínica como técnica terapêutica.
A Hipnose Naturalista ou Ericksoniana:
Hipnose é um estado mental que todos nós experimentamos de forma natural.
Na realidade, estamos pré-configurados para entrar em estados de transe de forma biológica e ao longo do dia. E ele acontece, por exemplo, quando experimenta uma sensação de devaneio, ao conduzir o carro, podendo não se lembrar que está a conduzir, nem dá conta do caminho passar.
O estado
hipnótico natural também acontece quando está enamorado, lê um bom livro, vê
um filme interessante ou em qualquer outra actividade, onde todas as outras
coisas parecem ter sido "bloqueadas" e entramos, ou em devaneio, ou num
processo de concentração focada. De facto, estudos recentes provam que todos
entramos num estado psicologicamente idêntico à hipnose em cada 90 minutos.
Já que
o estado hipnótico é uma condição mental em que
o cérebro apresenta alta actividade psíquica, e uma maior irrigação cortical
e subcortical, que desencadeia importantes reacções cerebrais.Ocorre um aumento na produção de várias moléculas neurotransmissoras como: endorfinas e serotonina, que liberta estímulos de bem-estar, combatendo a depressão; a dopamina e noradrenalina, que ajuda grandemente na cura de doenças ao fortalecer o sistema imunológico e manter a nossa homeostasia interna, etc. Efectivamente, a hipnose é hoje reconhecida como uma importante ferramenta para tratar e ultrapassar a maioria das perturbações psicológicas, eliminar as dores e ansiedade e, também, vencer quase todos os nossos medos.
Além disso, ela está a ser usada com eficácia para diminuir o sofrimento de pacientes com neoplasias, doenças neurodegenerativas e psicossomáticas. A hipnose permite diminuir o receio dos tratamentos oncológicos, assim com enfrentar eficazmente as principais fobias e a famigerada depressão.
O uso da hipnoterapia é o mais adequado para acelerar o processo de terapia e encurtar notavelmente o tempo de tratamento. O tempo varia de acordo com a pessoa e o problema, de uma sessão a poucos meses de trabalho.
Algumas áreas onde a hipnose tem apresentado excelentes resultados:
Depressão; Pânico; Quadros de
Ansiedade; Dificuldades de Aprendizagem; Transtorno Obsessivo/Compulsivo;
Stress Pós-Traumático; Problemas alimentares (Anorexia Nervosa, Bulimia);
Stress; Fobia Social e Específica; Timidez; Frigidez; Impotência; Controlo
da Dor; Maqus Hábitos (Tabagismo, alcoolismo); Obesidade; Auto-Estima;
Problemas de memória; Gaguez; Medo de Falar em Público Distúrbios de Sono;
Insónia; Etc.
O transe natural:
Este é o estado expansivo de consciência menos
percebido no quotidiano e, provavelmente, o mais desconhecido de todos. A
maioria dos autores define transe como um estado de consciência em que
permanecemos em contacto mais intensamente connosco, do que o meio ambiente.
Neste estado o foco da atenção volta-se mais para o que imaginamos e
sentimos, e menos ao que objectivamente estamos a pensar. Ou seja, deixamos
de prestar a atenção à consciência periférica, mas sem que se perca o
controlo da relação com o exterior. Os recentes estudos apontam que este
transe ocorre várias vezes ao dia, ainda que não guardemos pleno registo na
nossa memória consciente. Geralmente, pode acontecer durante algum intervalo
no trabalho, numa actividade de lazer, ou no decurso de alguma actividade
rotineira e automática, previamente aprendida. Designamos de transe
natural porque acontece de maneira espontânea para quase todos os seres
humanos, e também em alguns animais.
Este estado de transe natural é muito
útil, já que relaxamos, descansamos e o nosso cérebro aproveita para
“ordenar” informação, e se alguém nos pergunta o que estávamos a pensar,
provavelmente diremos que estivemos envolvidos numa actividade imaginativa
qualquer. Curiosamente, nem nos apercebemos que durante o transe, que pode
durar alguns segundos a largos minutos, as sensações corporais também se
modificam, fruto da segregação de importantes moléculas neurotransmissoras,
fazendo mudar a nossa percepção psicológica.
Embora já se façam inúmeros
estudos com bases científicas sobre o transe natural, na realidade, o seu
significado é desconhecido e sua frequência exacta também. Podemos concluir
que é uma espécie de sonho acordado, durante o qual, e de acordo com as
actividades registadas pelos registos electro-encefalográficos, nos dois
hemisférios do cérebro, predomina a actividade do cérebro direito, e talvez
tenha a mesma função de equilíbrio psíquico que possui o sonho enquanto
dormimos. Ou, quem sabe, seja afinal a parte da actividade preparatória do
SN para fazê-lo. Para nós que pretendemos trabalhar com hipnose naturalista
ou moderna, é a base de nossas intervenções, já que, com diferentes
técnicas, atendemos precisamente a essa condição para operar as mudanças
propostas na terapia.
O transe hipnótico:
Não é fácil explicar a neurofisiologia do
transe, e mais ainda a de sua expansão, o transe hipnótico. Realmente, não
obstante os avanços da moderna neurociência, ainda estamos no limiar do
conhecimento. Mas os estudos prosseguem a bom ritmo e, com o avanço das
modernas técnicas de imagiologia, com tendência a conhecer melhor as bases
funcionais destes processos. E, todavia, na prática diária com o uso da
técnica hipnótica, verificamos as evidências constantes dos fenómenos de
transe. Por exemplo, a estimulação de sensações, físicas e emocionais, a
diminuição das mesmas, a modificação de imagens, as mudanças fisiológicas
nas funções do corpo e que produzem acontecimentos internos positivos, etc.
Acontecimentos que podem levar à mudança e ao desenvolvimento humano,
aplicáveis à resolução e equilíbrio de múltiplos problemas do paciente. O
transe hipnótico tem por base a sugestão, isto é, este fenómeno não se dá
nada mais que através da auto-sugestão. Na hipnose naturalista defendemos
que não há personalidades sugestionáveis, mas contextos nos quais uma pessoa
confia na outra. Estabelecido o vínculo empático, que ocorre em qualquer
comunicação, estão ambas dispostas a utilizar a imaginação, a atenção e a
criatividade, com um fim específico. Como terapeutas, no nosso caso, o uso
do transe hipnótico tem por base a promoção da saúde e o bem-estar do
paciente, sempre com princípios éticos e deontológicos, definido em termos
aceites universalmente.
O sono biológico e os seus sonhos:
Os principais especialistas são unânimes em
defender a necessidade dos sonhos para manter o equilíbrio psíquico do
homem. Pois, independentemente da interpretação que se possa dar dos seus
conteúdos, está provado que a ausência de sonhos gera estados alucinatórios
e de transtorno temporário. Inclusive, em experiências com pessoas sujeitas
a privação dos sonhos, surgem inevitáveis sensações de perseguição e foram
descritos vários transtornos psicológicos. São transtornos que têm sido
equiparados a uma maneira doentia de sonhar acordado. Mas a falta deles (dos
sonhos) é que gera os transtornos anteriormente citados, e não a ausência de
lembrança dos sonhos. Já que, de forma natural, o mais frequente é que
grande parte daquilo que sonhamos, seja esquecido sem que se apresentem
problemas alguns.
A hipnose clássica,
evoluiu a partir dos trabalhos de Mesmer, e embora o autor não a chamou de
hipnose (o vocábulo surgiu mais tarde), a técnica que utilizava é plenamente
correspondente ao fenómeno hipnótico, de características mais assertivas, e
que caracteriza a hipnose clássica. Com efeito, nesta abordagem hipnótica o
sujeito desenvolve um estado de transe parecido com o sono. A participação
da mente consciente (preconizada pelo cérebro esquerdo) é diminuta e a
pessoa delega nas mãos do operador, que sugere as mudanças consideradas como
desejáveis através de ordens directas. O hipnólogo também decide o que é
prudente lembrar ou esquecer, do que ocorreu durante o processo de transe.
A hipnose moderna,
também designada como naturalista, trabalha os estados de transe a partir do
transe natural, numa perspectiva inteiramente nova, e consentânea com as
características de cada paciente. Na realidade, o hipnoterapeuta é mais um
facilitador, empreende um trabalho de cooperação e aprendizado na busca do
bem-estar e desenvolvimento para a pessoa que o consulta.
Esta abordagem
natural procura utilizar e expandir o transe natural, prolongando-o durante
parte da sessão terapêutica, contando em parte com a participação do
consciente (hemisfério esquerdo), mas sob o predomínio do inconsciente
(hemisfério direito). E num estado no qual, o paciente, além de imaginar e
sentir mais do que julgar, tem acesso aos poderosos recursos inconscientes e
esquecidos dentro de si. Na realidade, o principal objectivo está em
trabalhar com o predomínio dos recursos do inconsciente.
Nomeadamente, com
sua linguagem não-verbal (sensações, imaginação e fantasia), que são as
principais, e talvez as verdadeiras, ferramentas para mudança. E, no
entanto, toda a terapêutica é feita sem menosprezar a mente consciente, que
faz usos do hemisfério esquerdo do cérebro, local onde se encontra
localizado os centros da linguagem humana, sendo então possível uma tradução
verbal do que acontece no inconsciente, que é principalmente emocional.
Importa recordar que é uma tradução muito especial (através de símbolos,
histórias relatos oníricos e confabulações), e jamais literal.
Colocando
palavras nas suas emoções de uma maneira não exacta, mas simbólica. Pois
agrega ao seu relato imagens, sensações, e emoções que fluem livremente e
complementam o verbalizado. Mas muito mais além do juízo lógico e certamente
crítico do quotidiano. Composto, na maioria das vezes, por crenças e
representações internas que impedem a pessoa de ver alternativas e ser
livre.



