Sono da Verdade

O trabalho efectuado pelo hipnotera-peuta Alberto Lopes na SIC, abriu a mente dos portugueses para o mara-vilhoso potencial da hipnose e regres-são clínica como técnica terapêutica.

Vidas Passadas

Veja qual terá sido a sua vida passada


experiência de Quase Morte


Uma experiência de sair do corpo por uma pessoa que quase morre.
A experiência é geralmente descrita como envolvendo uma sensação de extrema paz, um som semelhante a uma campainha ou
um zumbido, uma passagem nas trevas e a seguir uma passagem para a luz. Contudo, a pouca investigação neste campo indica que estas sensações se conseguem em situações que afectam o estado do cérebro, como paragens cardíacas e anestesias. As condições que levam ao estado de Quase-Morte parecem afectar significativamente a natureza da experiência.

Os crentes pensam que as EQMs provam a existência de vida após a morte. Cépticos pensam que as EQMs podem ser explicadas por neuroquimica e são o resultado de alterações num cérebro moribundo. Por exemplo, a experiência da passagem de um túnel escuro para a luz brilhante é explicada por "ruído neural" e pelo "mapeamento retino-cortical." De acordo com Susan Blackmore, o investigador Tom Troscianko especula:

Começa-se com um leve ruído neural que vai aumentando gradualmente o efeito seria de uma luz no centro tornando-se maior e maior e portanto mais próxima....o túnel parecia mover-se com o aumento do ruído e a luz tornar-se-ia maior....Se todo o córtex ficasse tão ruidoso que todas as células disparassem, então toda a área pareceria banhada em luz.[p. 85]

Blackmore atribui a sensação de paz à libertação de endomorfinas em resposta à situação de extremo stress. Os ruídos são atribuídos à anoxia e efeitos nas conexões das células do cérebro. [p. 64]

O Dr. Karl Jansen reproduziu EQMs com ketamina, um analgésico de acção rápida, halucinogénico e "dissociativo".

A anestesia é o resultado do paciente ser tão 'dissociado' e 'removido do seu corpo' que é possível executar intervenções cirúrgicas. Isto é diferente da “inconsciência” produzida pelos anestésicos convencionais, apesar da ketamina ser também um excelente anestésico através de um caminho diferente (i.e. não devido à dissociação). A ketamina relaciona-se com o phencyclidine (PCP). Ambas as drogas são arylciclohexilaminas - não são opiáceos e não estão relacionadas com o LSD. Em contraste com o PCP, a ketamina é relativamente segura, de acção muito mais curta, não é controlada na maioria dos países e permanece em uso como anestésico para crianças nos países industrializados e para todas as idades no terceiro mundo por ser barata e fácil de usar. A anestesia impede os pacientes de terem EQMs pela co-administração de sedativos que produzem "verdadeira" inconsciência em vez de dissociação.

De acordo com o Dr. Jansen, a ketamina pode reproduzir todos os efeitos da EQM, incluindo a viagem através do túnel para a luz, a sensação de estar morto, comunicação com Deus, alucinações, o sair do corpo, ruídos, etc. Isto não prova que não existe vida depois da morte, mas prova que uma EQM não é prova de vida após a morte. De qualquer modo, a "típica" EQM não é típica de nada, excepto da tendência dos parapsicólogos seleccionarem factos isolados de um conjunto e encaixarem-nos numa hipótese paranormal ou sobrenatural.

Os filmes já mostraram a cena várias vezes: enquanto a equipe da emergência lança mão dos últimos recursos de ressuscitação, o paciente, cujo coração já parou de bater, vê um túnel de luz, avista o corpo lá de cima e é acolhido serenamente por um parente querido. Assim seria a passagem para o lado de lá da vida -- excepto nos casos em que, por desígnio divino, insistência dos médicos ou pura sorte mesmo, a pessoa volta para contar a história.

Uma mulher na Suíça teve uma experiência parecida -- sem correr o menor risco de vida. A paciente, que há 11 anos sofria de epilepsia, estava a ser avaliada para uma cirurgia de remoção do foco epiléptico. Como nenhuma lesão era visível no exame por ressonância magnética, a equipa do Dr. Olaf Blanke, do Hospital Universitário de Genebra, usou eléctrodos posicionados no cérebro da paciente para localizar a região a ser removida.

Como a actividade eléctrica do cérebro é anormal sobre o foco epiléptico, o simples registro pelos eléctrodos é suficiente para indicar a sua posição. No entanto, um procedimento adicional é de praxe: usar os eléctrodos também para estimular regiões precisas do cérebro e, desse modo, identificar zonas 'vitais', saudáveis, que não devem ser removidas.

A estimulação é feita com o paciente acordado e consciente para que ele possa relatar as sensações provocadas. Estimular o cérebro com pequenas correntes eléctricas não dói: embora receba sinais dos nervos do corpo todo, o cérebro não tem nervos que enviem sinais dele mesmo. Tudo corria como de costume com essa paciente de 43 anos: a estimulação de zonas auditivas, somatossensoriais ou motoras no cérebro provocava sensações auditivas, corporais ou movimentos do corpo.

Até que a estimulação em dois dos 64 pontos testados do lado direito do cérebro provocou uma sensação inusitada de deslocamento -- ilusório, claro -- do corpo inteiro: ao receber uma pequena corrente eléctrica sobre o giro angular, a paciente sentia-se 'afundando na cama', ou 'a cair no vazio'. A equipe, claro, não parou aí. Testaram uma corrente eléctrica um pouco mais forte sobre os mesmos pontos e, como num filme sobrenatural, a sensação transformou-se numa verdadeira experiência extra-corporal: de olhos abertos, a paciente dizia ver lá de cima, como se levitasse próxima do tecto com o seu corpo deitado na cama.

Experiências extra-corporais 'naturais' costumam ser transitórias e geralmente desaparecem quando se tenta inspeccionar directamente as partes do corpo envolvidas. Com a experiência extra-corporal provocada pela estimulação eléctrica -- e relatada pela equipe de Blanke na revista Nature em 19 de Setembro -- não foi diferente: quando a paciente fechava os olhos durante a estimulação ou olhava directamente para seus braços e pernas, eles apenas pareciam mover-se em direcção ao corpo.

A posição do giro angular é privilegiada para integrar informações relativas à posição e às sensações complexas do corpo: ele fica na borda do lobo parietal , que já tinha sido implicado antes na percepção do espaço corporal, ou seja, na localização de objectos em relação ao corpo. De quebra, outro vizinho próximo é o córtex vestibular , que processa informações relativas à orientação da cabeça em relação à gravidade, inclusive sensações de peso ou leveza. Com vizinhos desse calibre, o giro angular talvez seja o lugar do cérebro onde nossa 'visão' interna do corpo é criada.

Se for assim, a dissociação do corpo que caracteriza a experiência extra-corporal poderia ter uma explicação simples: uma falha na integração sensorial e vestibular que o giro angular normalmente desempenharia, causada, por exemplo, pela estimulação eléctrica. Ou, na experiência de quase-morte, pela falência metabólica do cérebro.

Esta, de facto, é a explicação alternativa para quem quase foi, voltou e ficou tentado a acreditar que esteve do lado de lá mesmo. De acordo com a 'hipótese do cérebro a morrer', defendida pela psicóloga Susan Blackmore e pelo neurocientista Michael Persinger, as experiências de quase-morte reflectem o funcionamento residual num cérebro que já não recebe o suprimento habitual de oxigénio e glicose.

O giro angular, cuja estimulação eléctrica é capaz de gerar a percepção de desligamento do corpo, vem agora integrar o rol das regiões do cérebro normalmente responsáveis pelas sensações vividas durante a experiência de quase-morte. Talvez não por coincidência, todas essas regiões -- inclusive o giro angular -- têm algo em comum: elas dividem o suprimento de sangue fornecido pelas artérias cerebrais posteriores, que irrigam a parte de trás do cérebro. Quando o corpo começa a desligar, talvez um dos resultados seja uma 'activação de despedida' dessas zonas do cérebro -- e, com ela, as experiências que quem volta pode contar.

De qualquer forma, o fato da percepção extra-corporal ser um fenómeno do cérebro, e não o desligamento da alma, não diminuiria a experiência na hora da quase-morte. E se isso de facto acontecer rotineiramente na hora da morte? Quer maneira mais bonita de se ir embora do que se despedir serenamente do corpo para ser acolhido por parentes queridos e saudosos? O cérebro, que nos permite uma vida de prazer parece que até nos últimos momentos nos garante um final tranquilo e digno de toda sua existência.