Sono da Verdade
O trabalho efectuado pelo hipnotera-peuta Alberto Lopes na SIC, abriu a mente dos portugueses para o mara-vilhoso potencial da hipnose e regres-são clínica como técnica terapêutica.
Avanços das Neurociências e o Mapeamento cerebral em estados alterados consciência


O tema Hipnose e T.V.P. foi sempre um assunto polémico e foi sempre deixado à margem do mundo científico.
Dentro de um rigor científico, a necessidade da comprovação e da demonstração dos fenómenos e da falta de tecnologia que possa acompanhar e explicar a forma como se processam os cerca de 20 estados alterados de consciência existentes e descritos, visto que dentre as poucas possibilidades de se observar e avaliar estes estados alterados para defini-los de forma objectiva com base em parâmetros electroencefalográficos (EEG), comportamentais e introspectivos.
Mas parece que este dilema tecnológico tem vindo a ser superado desde há 10 anos com o avanço das neurociências. Têm vindo a ser realizados estudos com aparelhos tipo PET Scan (Positron Emition Tomography Scanner), que possibilitam a partir de injecção de glicose activada, identificar as áreas cerebrais activas em diferentes situações experimentadas em pacientes.
No entanto, o importante é que estas avaliações acontecem de forma dinâmica, não estática como acontece com os tomógrafos convencionais. E podem-se observar estruturas mais profundas do que a limitação imposta pelos eletroencefalógrafos que acompanham somente a cortical e que podem ser estudadas estruturas mais profundas do sistema nervoso; neste caso o que nos interessa é o Sistema Límbico Hipotalâmico e as suas relações com o estado alterado de consciência do transe hipnótico ou de uma Terapia de Regressão.
Baseado nestes estudos de pesquisa de ponta há 2 anos estão a ser realizadas pesquisas com o Pet Scan direccionadas ao estudo do transe hipnótico como estado alterado de consciência em conceituadas instituições norte americanas como Universidade de Standford e Harvard e os Hospital Geral de Massachusetts e Memorial Hospital de Neva York. Neurologistas, radiologistas, psiquiatras e outros profissionais tentam desvendar os mistérios da hipnose clínica.
Desde 1985 que se fazem estudos mas que não têm esta amplitude. Com o advento de novas tecnologias, têm sido elaborados trabalhos científicos para perceber o funcionamento do cérebro humano durante uma Hipnose de Regressão. Investigadores de vários países chegaram a conclusões muito parecidas. Há de facto, uma alteração notável em determinados sectores lógicos do cérebro que foram registados e mapeados.
O Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) entre outros, pesquisadores, médicos e psicólogos têm desenvolvido pesquisas para obter uma fundamentação científica para o seu método obtendo inclusivamente apoio de instituições estrangeiras como a Universidade de Standford e Harvard e os Hospital Geral de Massachusetts e Memorial Hospital de Neva York nos EUA. O objectivo das pesquisas em curso é descobrir o que ocorre neurologicamente com o paciente durante uma sessão de regressão.
Num destes trabalhos, ao colocarem 20 eléctrodos na cabeça de um paciente, eles conseguiram identificar as mudanças nas frequências cerebrais em cada fase da regressão.
Ilustrações demonstram resultado da pesquisa do INVC. À esquerda, como as ondas cerebrais ficam quando está relaxada. As cores mais escuras demonstram o estágio mais profundo, onde há um predomínio de ondas alfa na parte occipital do cérebro. À direita, o mapeamento das ondas cerebrais em fase de regressão. Na figura onde há cores mais escuras se acumulando na parte frontal do cérebro; é o momento mais profundo da regressão e percebe-se que há um maior predomínio de ondas Delta.
Eles concluíram que durante o período de relaxamento há uma predominância de ondas Alfa na região occiptal do cérebro, perto da nuca. Mas durante a regressão na região do lobo frontal, na parte da frente do cérebro, predominam as ondas Delta, que caracterizam o estado alterado de consciência e que foi detectada em monges tibetanos quando em meditação. Essas ondas Delta surgem concomitantes com as frequências Beta, que caracterizam o estado de vigília, a consciência.
Ou seja, quando o paciente é induzido à regressão, ele experimenta um estado modificado de consciência que é neurologicamente diferente do estado de vigília, porém preserva a consciência. É isso que explica como, ao mesmo tempo em que se tem acesso aos conteúdos do seu inconsciente, o paciente
tem condições de se conscientizar e trabalhar terapeuticamente com esses conteúdos.



