Sono da Verdade

O trabalho efectuado pelo hipnotera-peuta Alberto Lopes na SIC, abriu a mente dos portugueses para o mara-vilhoso potencial da hipnose e regres-são clínica como técnica terapêutica.

Vidas Passadas

Veja qual terá sido a sua vida passada


A antiguidade dos casos de EQM



Relatos sobre visões do que ocorre 'do lado de lá' são antigos como as pirâmides do Egípto, as epopeias gregas e os registos das civilizações indianas e chinesas. A República de Platão (427–347 a.C), conta a história de um soldado morto pelo inimigo que viajou para a Terra dos Mortos e que foi proibido de beber no Rio do Esquecimento porque tinha de retornar à vida. A maioria das religiões partilha o mito de um lugar onde as almas descansam depois da morte.

O primeiro relato moderno de visões perto da morte foi feito pelo parapsicólogo italiano Ernesto Bozzano (1862–1943) em 1908. Ele disse que muitas pessoas, no leito da morte, afirmavam ver pessoas que já tinham morrido. Em 1927, o físico inglês sir William Barrett, membro da Royal Society, publicou o livro Deathbed Visions , onde relata que essas pessoas não só viam parentes e amigos falecidos como contavam histórias e sons de outros mundos. Na década de 60, o parapsicólogo americano Karlis Osis fez um estudo-piloto sobre essas visões e encontrou algumas coincidências, como o fato da maioria dos testemunhos se referir a conversas com pessoas já falecidas.

Em 1975, outro parapsicólogo americano, Raymond Moody, escreveu o livro Vida Após a Vida , que traz mais de cem relatos de pessoas que tiveram morte clínica. O livro tornou-se um best-seller , vendendo mais de 10 milhões de cópias e introduziu no vocabulário a expressão 'near-death experience', ou experiência de quase-morte.

Contra o apelo místico

Na busca para explicar o fenómeno de uma forma racional, Susan Blackmore teve o apoio de vários investigadores incomodados com o apelo místico habitualmente atribuído a esse tipo de experiência. Outros especialistas têm explicações diferentes para o fenómeno de quase-morte. Professor de psicossomática e psiconeuroimunologia da USP e da PUC de São Paulo, Esdras Guerreiro Vasconcellos trabalha há mais de 20 anos com doentes terminais e afirma acreditar que as visões resultam da perda gradual da consciência.

Vasconcellos ouviu vários pacientes com relatos semelhantes àqueles citados por Lommel e não se espanta com os depoimentos. 'Tudo que vivemos fica registado no sistema nervoso', afirma. 'E isso vale para situações que não percebemos. A memória do inconsciente aparece no momento em que a consciência desliga.' Para o estudioso, o desligamento gradual da consciência traz certos tipos de imagens e lembranças armazenadas na memória afectiva e que retornam quando a pessoa sente que está a morrer.

A multiplicidade de explicações para os fenómenos relatados pelos pacientes a Lommel e a outros estudiosos do assunto coincidem num ponto. As pessoas que passaram pelas experiências de quase-morte relatam ter usufruído de uma sensação indescritível de bem-estar. É inevitável também à maioria dos que tiveram a experiência, aproximarem-se de alguma religião na tentativa de explicar o que sentiram. 'O relato dessas experiências ajuda a superar a cultura materialista moderna que exclui a morte da vida', afirma Boff. 'Por isso acontece essa sensação de bem-estar.'

O mesmo não se pode dizer daqueles que tiveram sonhos ou alucinações resultantes de experiências alucinógenas, que podem ser terrivelmente amedrontadoras. A sensação relatada pelos pacientes de Lommel também é muito diferente daquela sugerida no mais conhecido filme sobre o assunto, Linha Mortal (1990), tendo Julia Roberts como uma das protagonistas. No filme, cinco estudantes de medicina resolvem atravessar a fronteira da morte e voltar à vida para contar ao mundo como é morrer. Mas a pesquisa transforma-se em um pesadelo quando eles tentam consertar os erros do passado.

Os relatos não se parecem com a história romântica de Do Outro Lado da Vida (Ghost, 1990), quando o herói (Patrick Swayze) é assassinado e o seu fantasma insiste em permanecer no mundo dos vivos para proteger sua mulher (Demi Moore) do assassino.

No entanto, uma história curiosa, relatada por Lommel, mostra que algumas pessoas podem ter consciência do que ocorre ao seu redor, apesar de estarem em coma profundo.

Segundo o relato de uma enfermeira de unidade coronária, um dos pacientes entrevistados pelo cardiologista era um homem de 44 anos que tinha tido um ataque cardíaco e que foi submetido a um massagem no coração e a estímulos eléctricos. Para que não se magoasse, a enfermeira tirou a sua dentadura da boca. Uma semana depois, a enfermeira voltou a vê-lo, já recuperado. Na ocasião, o paciente a reconheceu e disse: 'Foi você quem tirou a dentadura da minha boca para que eu fosse entubado. Você sabe onde ela está'. O paciente, segundo o seu relato, havia visto todo o seu processo de ressuscitamento de um ponto acima do seu corpo. E, segundo a enfermeira, foi capaz de descrever em detalhes o local em que isso ocorreu e as pessoas que estavam lá. Lommel também não dá uma explicação para o facto, mas conseguiu ser científico com um assunto cuidadosamente evitado pela ciência.

 

JULIA NEZU

Vice-presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo
Para os espíritas, os relatos de pessoas clinicamente mortas que voltaram à vida demonstram que os seus espíritos se estavam a desprender parcialmente e a viver novas experiências. Se eles se desprendessem totalmente, as pessoas não retornariam à vida. Segundo Julia Nezu, as histórias sobre a passagem por um túnel com uma luz ao fundo é literal.

 'Trata-se de um caminho que as pessoas percorrem para atingir o mundo espiritual', afirma.

Ela diz que os relatos de experiências de quase-morte coincidem com os textos feitos por médiuns em muitos livros publicados. Segundo os espíritas, esses casos servem para mostrar à humanidade que o espírito continua vivo após a morte.